segunda-feira, 29 de maio de 2017

O QUE É VENDER ?


Vender é ciência, arte e mágica

Luiz Carlos Barcelos (*)

Vender é algo mágico. É a coisa mais linda que existe no mundo. É uma ciência e uma arte: a arte da abordagem.
Abordar bem é ter a capacidade de entrar no cliente, conhecê-lo a fundo, entender suas condições, o ambiente em que atua e vive, seus gostos pessoais, sua personalidade, os desafios de seu negócio. Compreender as dificuldades de seu ramo de atividades, não apenas de sua empresa em particular. Conhecer o problema para, então, propor não um produto ou um serviço, mas uma solução.
Todos somos vendedores natos: ao longo da vida, todos os dias, estamos sempre argumentando, defendendo posicionamentos, vendendo nossas ideias. No caso estritamente comercial, cabe ao vendedor se especializar nessa arte e tornar-se um criador de necessidades. De que forma? De forma técnica, embasado em um nível de conhecimento do cliente que o permita conduzir a negociação de modo a empregar sua ideia como resposta exata para cada determinada demanda.
Vender uma ideia por meio de algo tangível. Saber demonstrar ao cliente do que ele precisa e o que ganhará adquirindo tal item, ou seja, agregar valor na relação. Isto feito, entra em cena a capacidade de negociação, pautada na habilidade de pensar e estruturar formas e condições de acordo com o perfil e possibilidades do cliente.
Venda completa? Garanta a satisfação do atendido, não os abandone. O pós-venda é tão importante quanto o vender, e a qualidade de sua condução pode tanto encantar e resultar na fidelização quanto afugentar o cliente de negócios futuros.
Saber vender é saber perguntar. Todos podem extrair as respostas de que precisam se souberem conduzir as questões. Isto não tem uma fórmula pronta, é preciso analisar cada caso, mas uma dica é: preste atenção aos detalhes. O time para o qual seu prospect torce, se ele tem filhos ou se é interessado em cultura, gastronomia, velocidade... Acredite, dados pessoais importam, pois são eles que desenham a personalidade e mostram com quem o vendedor está falando, abrindo margem para pensar o melhor tipo de abordagem.
Vender bem é um passo firme na direção do sucesso de uma empresa. Aliás, é fundamental em um mercado como o brasileiro, no qual quase metade – 48,2% - das companhias fecha antes de completar quatro anos de vida, segundo o IBGE.
Em um cenário como este, permeado por desafios e incertezas econômicas, políticas, tributárias, legais e tantas outras, permanecer competitivo é uma luta diária. E competitividade é sinônimo de vendas, logo, uma depende da outra em um círculo virtuoso ao qual todo bom negociante tem de ser adepto. 
Empreender é como estar em um casamento, um relacionamento de amor e comprometimento com o negócio. E, tal qual o casamento, ter uma empresa é tarefa para pessoas que sabem calcular com precisão o momento de avançar, recuar, permitir, recusar, respeitar, se fazer respeitado.
Adicione-se a isso uma boa dose de planejamento, organização, resiliência para enfrentar as crises, sapiência para agregar valores como credibilidade, respaldo, ética, moral, compliance à operação e saúde financeira para gerar reservas, e teremos um negócio lucrativo em andamento, sem dúvida.
Saber vender é um dos passos mais importantes deste caminho. Uma empresa é feita de pessoas e ideias, e é o que faz destes recursos que a levam a se sobressair ou não no mercado. Vender uma ideia, um produto, um serviço, uma imagem: é preciso estar apto para fazer isso com maestria. Habilidade que se consegue com aplicação e prática e que, se alcançada, traz resultados benéficos para a empresa e para a sociedade – afinal, nenhuma companhia é um ente isolado, ela é seus clientes, colaboradores, fornecedores, parceiros, conterrâneos. Logo, bem vender, bem empreender, é lucrativo não somente para o ser diretamente envolvido, mas para todo o ecossistema com que convive. É um ato de responsabilidade social.

(*) É Sócio-fundador da LTA-RH Informática
Ilustração: blog.acelerato.com




Um artigo sobre a construção da humanidade



A humanidade é um ato de aprendizagem e esclarecimento

Por Samuel Sabino (*)

Ser um humano não garante a humanidade. Pode parecer uma afirmação ilógica a primeira vista, porém o que se tem por humanidade não é sinônimo de ser um humano, como pode se considerar em um primeiro momento. O humano é a condição base da espécie, que é dotada de liberdade de escolha e capaz do raciocínio lógico, mas não exclui o instinto e, nem mesmo, a posturas consideradas “inumanas”.
Hoje em dia se acostumou a falar que é desumano cometer atos que são prejudiciais ao próximo, como guerras, que prejudicam populações inteiras, ou mesmo atos de corrupção, que prejudicam grupos dentro de uma empresa ou governo. O caso é que o humano é capaz dessas coisas, e o que o impede, ou faz refletir sobre não fazê-lo, é sua humanidade, que não é uma condição inata. A humanidade é uma construção da evolução, fruto da consciente capacidade de escolher e raciocinar, porém apenas quando guiada pelo aprendizado e pelo esclarecimento.
A natureza escolheu os instintos para guiar a vida dos animais. Isso os acorrenta a sempre escolher os meios e os fins que atendam a um único propósito, a perpetração de sua espécie. Já os humanos também têm instintos, porém raciocinar e escolher está em nós, o que faz com que, por essa liberdade, nem sempre escolhamos os caminhos que perpetuaram nossa sociedade.
Na verdade, o que o humano geralmente escolhe é a preservação de si mesmo. Esse é o caminho da ética egoísta, que considera apenas o ganho presente, individual, e cujo nível de esclarecimento é baixo. Digo nível de esclarecimento no sentido ético, no sentido de continuação da espécie, da construção evolutiva que pode levar o ser humano além como raça.
Nascemos humanos e buscamos a humanidade através desse esclarecimento. Nascemos egocêntricos, viciosos, em estado de menoridade. Para sair disso é preciso escolher conscientemente a humanidade. O altruísmo, a virtude e a maioridade só vem com o aprendizado. Este por fim gera o esclarecimento.
Mas, porque buscar isso? Se somos naturalmente viciosos, por que buscar o esclarecimento? Por que se preocupar com o próximo? Basicamente por dois motivos; primeiro: por sermos detentores de dignidade, algo que é tão natural quanto ser um ser humano e; segundo: por sermos reclamantes dessa dignidade.
Isso quer dizer que quando a dignidade nos é tirada nós lutamos para reconquistá-la, para voltar ao estado de bem estar e felicidade. Por sermos sensíveis a perceber que somos dignos, se torna necessário que se alcance um estado onde a dignidade seja garantida, encontrando então esse estado de humanidade.
Mas, como se dá a passagem do mero humano para o humanizado? Justamente pelo esclarecimento advindo do aprendizado. Para aprender é preciso escolher, mas, sobretudo, com responsabilidade. Exatamente com esses atos que partem da ética nobre, que pensa no maior número de pessoas, o esclarecimento surge então conforme vamos nos sensibilizando com o outro, exemplo da empatia ou íntima compaixão.
No entanto, é possível alcançarmos outro caminho quando não pela empatia; pelo uso do raciocínio. Por ele se constrói princípios éticos e passíveis do uso da liberdade e escolha, como escolher, por exemplo, a ética nobre. Porém tudo começa com uma atitude de escolha consciente em abraçar essa habilidade humana de construir a humanidade. Sem usar isso estamos condenados, pois até os animais são compelidos a se preservar como espécie. Nós, sem escolher pela dignidade, estamos fadados a extinção e a um mal que destrói até o último de nós.

(*) é fundador da Éticas Consultoria, Filósofo, Mestre em Bioética, e professor universitário.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Para obter transformação social a comunicação é imprescindível


A comunicação como instrumento de transformação

Maíra Junqueira  (*)

A convicção de que a comunicação deve estar no centro das ações das organizações que atuam para a transformação social tem um forte exemplo na campanha de educação pública realizada contra o Dont Ask, Dont Tell, termo utilizado para a antiga política de restrição a gays nas Forças Armadas dos Estados Unidos.  De acordo com essa política, os homossexuais poderiam permanecer nas Forças Armadas caso não revelassem sua orientação sexual. Durante uma década, a organização Palm Center, que luta pelos direitos dos homossexuais nos EUA, desenvolveu uma estratégia de informação baseada em uso de ferramentas de comunicação, divulgação de dados de pesquisas, advocacy e educação pública com o objetivo de derrubar a restrição. Em 2011, o governo norte-americano aboliu oficialmente a proibição e passou a permitir que homens e mulheres pudessem prestar o serviço militar sem ter medo de represálias ou da expulsão. O sucesso da campanha mostrou a importância da utilização adequada de estratagemas de comunicação para a conquista de um objetivo específico. Um dos métodos utilizados foi a conquista da adesão de porta-vozes tradicionalmente relacionados a outras bandeiras, o que despertou a atenção da opinião pública. Aaron Belkin, diretor da Palm Center e um dos criadores da campanha bem-sucedida, foi um dos destaques da ComNet -The Communications Network Annual Conference 2016, conferência anual para discutir as estratégias de comunicação para o setor social realizada em Detroit (EUA) em setembro.  Ele detalhou a articulação de técnicas e métodos que tornou a campanha contra o Dont Ask, Dont Tell um caso emblemático da possibilidade de mudar políticas públicas por meio da conquista do apoio da população. Também ressaltou a importância de insistir na mensagem a ser divulgada, o que pode ser feito de formas diversas, mas sempre com a repetição da relevância da causa.  
O ComNet 2016 reuniu 500 profissionais do setor social para debates e trocas de experiências sobre o potencial da comunicação. Ao lado de representantes de outras organizações brasileiras, participei como representante do Fundo Brasil de Direitos Humanos de workshops, conferências, debates e painéis realizados durante o evento. Além do Fundo Brasil, marcaram presença organizações brasileiras como o GIFE, o Instituto Alana, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, o Instituto Ayrton Senna, o Minha Sampa e o Instituto Unibanco.
Foi uma grande oportunidade de conhecer outras realidades e possibilidades, além de trocar experiências. Temas como as experiências digitais de comunicação estratégica, como causar impacto no público e a influência das questões culturais na compreensão das mensagens estiveram no centro das discussões. Um dos pontos debatidos, por exemplo, foi a importância de conhecer e entender a audiência em potencial das campanhas de comunicação e quais são as ferramentas que podem ser utilizadas para isso. É uma questão bastante avançada entre as organizações sociais dos Estados Unidos.A curadoria do conteúdo a ser transmitido e a escolha do público-alvo são importantes desafios para conseguir comunicar em um cenário em que há uma avalanche de informações circulando na internet e uma intensa disputa pela audiência.
Nesse contexto, o foco no público que interessa de fato e a customização da informação são estratégias que ganham força.   Para organizações que atuam no campo dos direitos humanos no Brasil também é um grande desafio lidar com um ambiente cultural em que as forças conservadoras ocupam cada vez mais espaço e em que grande parte da sociedade ainda não compreendeu a importância de apoiar os defensores de direitos. Na ComNet, uma das discussões foi baseada em como fazer com que o público pense diferente do que está acostumado e, a partir disso, tenha ações também diferentes.  Shaun Adamec, diretor de comunicações estratégicas da Nellie Mae Education Foundation, e Nat Kendall-Taylor, CEO do FrameWorksInstitute, lembraram que muitas vezes a linguagem que usamos para enfrentar as formas conservadoras de pensamento correm o risco de reforçá-las ainda mais, tornando ainda mais complicada a comunicação de nossas ideias.  
Identificar de que forma a linguagem reforça o pensamento conservador; conhecer novas formas e estratégias para comunicar questões difíceis; e aplicar esses aprendizados para pensar em maneiras diferentes de envolver o público e ser mais eficaz foram questões que estiveram no centro da conversa com os dois comunicadores.  Outro destaque na conferência foi a apresentação da  campanha Love has no label, veiculada no Valentine´s Day, em Nova Iorque, e que ganhou repercussão mundial. A campanha usou imagens de raio-x de participantes de várias idades e gêneros para mostrar que todos são iguais e ressaltar a diversidade do amor. Na ComNet, a campanha serviu como base para a discussão sobre os tipos de divulgação que conseguem interagir com os jovens e o fato deles criarem os padrões nos ambientes virtuais, exatamente por serem os que mais produzem na internet. No geral, a participação na conferência foi uma oportunidade de discutir as melhores formas de envolver os jovens que vivem em um ambiente digital nas causas sociais e também como aprender com essa geração.
O Fundo Brasil se mantém atento às novidades relacionadas às mídias sociais e tem como uma de suas estratégias de comunicação a atuação em canais onde já existe um público engajado nas questões relacionadas aos direitos humanos, principalmente o Facebook, o Twitter e o site da fundação.
Textos, fotos, vídeos, gifs e infográficos compõem o conteúdo, baseado principalmente nas histórias dos projetos apoiados ao longo de dez anos e em ações de promoção e divulgação da filantropia para a justiça social. Atuamos cada vez mais utilizando o poder que a comunicação tem como garantidora de direitos, com a perspectiva de que comunicar é uma ação política de longo prazo e que é necessário perseverar na divulgação de uma mensagem, além de usar os instrumentos disponíveis para conhecer e conquistar a sociedade.


(*) é coordenadora executiva adjunta e coordenadora de relacionamento com a sociedade do Fundo Brasil de Direitos Humanos.
Ilustração: ipnews.com.br

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Os impactos da transformação digital no emprego e no trabalho


Como a Transformação Digital elimina seu emprego... e gera trabalho

Gabriela Viana (*)

Emprego e trabalho, até mesmo no dicionário, são palavras que têm uma variação importante no significado. Enquanto emprego é ocupar-se de algum serviço, o trabalho é estar em movimento/funcionamento. Um mundo que está se transformando radicalmente demanda por fluxo, movimento, interação. A pressão por movimento contínuo está modificando as relações sociais, familiares e, como não poderia deixar de ser, modificando fundamentalmente o trabalho.
Movimentos mundiais como a globalização e a disseminação em escala da Internet mudaram radicalmente o cenário dos negócios: 40% das empresas que faziam parte da Fortune 500 na década passada não figuram mais na lista nesta década. A geração nascida entre 1980 e 2000 já é hoje o maior grupo que forma a força de trabalho da maioria dos países (e a maior geração que os Estados Unidos, por exemplo, já teve), e suas prioridades e valores também estão modificando de maneira fundamental o ambiente de consumo e de trabalho. 
As empresas estão sob enorme pressão para realizarem mudanças que as permitam seguir sendo relevantes através do tempo. E o desafio para os profissionais é o mesmo: manter a relevância. E como fazê-lo em um mundo de constantes mudanças?

Como inovar no meu trabalho atual?

É necessário não interpretar a demanda por inovação como uma necessidade de criar uma ideia de 100 milhões de dólares por dia ou a de dominar toda e qualquer nova tecnologia a ser criada. Inovar é um modo de operar, de pensar e de estar no mundo. Como diria o cientista e escritor Max Mckeown, inovar é tornar ideias úteis.
Uma postura de solução é válida para grandes ou pequenos problemas. Quer uma sugestão? Sempre que for mencionar um problema ou dificuldade, veja se você não tem alguma solução para propor. O simples exercício de pensar em soluções - mais do que identificar e apontar problemas - já prepara você para uma nova postura. Troque a palavra inovação (mais vaga) por uma outra expressão: resolvo problemas. 
Desenvolva também maior abertura à tentativa e ao erro. Prepare sua organização - e seus times - para essa possibilidade. Negócios e pessoas refratários ao erro e à mudança não inovam. Não custa repetir a máxima: não inova quem não tenta (e quem não erra!).

Como me manter atualizado?

Todos temos o sentimento de estarmos constantemente desatualizados. Uma sensação com a qual teremos que nos acostumar, sem nos acomodarmos ou sem cedermos à distração total de boiar apenas na superfície dos assuntos - um dos efeitos colaterais da Internet (Don’t let Google make you Stupid**).
Se já estávamos acostumados a uma realidade em que o próprio mercado de trabalho tem maior impacto na formação de profissionais que o ensino formal, precisamos radicalizar o processo, tornando-nos também individualmente responsáveis por nossa contínua formação. Não podemos esperar uma nova geração chegar ao mercado de trabalho preparada. Essa tampouco é uma possibilidade com a velocidade das mudanças tecnológicas que vivemos.
Governos, empresas e indivíduos terão que atuar para preparar os trabalhadores para a nova demanda de um mundo que se transformou através da Internet. Prepare-se para montar e investir - você mesmo - em um percurso de formação contínua. A Internet é, nesse caso, um grande suporte e várias das instituições mais renomadas do mundo têm programas de ensino a distância. Procure e veja que até Kevin Spacey e Serena Williams dão aulas via plataformas digitais a valores acessíveis.
Torne-se independente do seu atual empregador - ou da sua instituição de ensino - no que se refere à sua própria formação.

Outros impactos da Transformação Digital e da consequente mudança geracional que vão impactar você como profissional

*Acesso substituindo a propriedade: uma das facetas simplificadas seria assumir que produtos/bens estão sendo substituídos por serviços - vide Uber, BlaBlaCar e AirBnb. Quando você precisa pendurar um quadro na parede, você precisa do furo ou da furadeira? Como repensar o negócio da sua empresa e, por que não?, seu próprio “negócio” como profissional, com essa provocação em mente?;

*Crowdsourcing e Economia Compartilhada: em um futuro nada distante e em busca de diversidade de habilidades, empresas verão mais valor em usar talentos via crowdsourcing do que os talentos que poderia manter “em casa”. Trabalhe para que seu talento seja desejável e ligue o botão da “contribuição”, independente do modelo de contratação;

*Populações mais longevas: uma radical mudança na pirâmide etária está em curso. A geração atualmente ativa no mercado de trabalho tende a uma vida produtiva mais longa que todas as gerações anteriores. Isso também significa que teremos que seguir investindo em nós mesmos - por mais tempo.

*Robótica e Inteligência Artificial: a tecnologia tende a substituir muitos dos empregos que existem hoje (não apenas os repetitivos e mecanizados, mas também aqueles que requerem atividades cognitivas). Esse também é um indício que não é a tentativa de dominar habilidades específicas de novas tecnologias que será um grande diferencial no longo prazo, mas sim uma maior capacidade de interpretação e domínio de conceitos.
Sejamos realistas: aquilo que hoje conhecemos por emprego está em extinção e não nos resta alternativa a não ser nos adaptarmos. Durante séculos, o trabalho foi visto e descrito como uma atividade desprazerosa e relegada às classes sociais inferiores. Pertencemos a uma época que passou a dar novo significado e nova escala ao trabalho. Mas estamos agora em um novo movimento, onde tampouco apenas trabalhar traz satisfação ou quaisquer garantias. Se nos dispusermos a uma outra forma de trabalhar (e isso significa dar novo significado e direção ao trabalho constantemente), podemos ter como resultado algo mais desafiador, menos mecânico, mais criativo – e, portanto, mais prazeroso.

(*) é diretora de Marketing Adobe para América Latina

**Artigo de Nicholas Carr no qual ele defende que o uso intensivo da Internet - e a característica de navegarmos rapidamente sempre de um conteúdo a outro não passando da "superfície" - está reconectando nossos cérebros de modo a dificultar a capacidade de concentração em assuntos de maior profundidade, leituras mais complexas e atividades que exijam maior concentração. 

Ilustração: Sottelli

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A NECESSIDADE DE SE ESTAR DESCONFORTÁVEL


Para ter sucesso, é preciso se aventurar no desconhecido

Silvia Bez (*)

Ao longo da vida nos acomodamos e criamos nosso próprio refúgio. Ficamos acostumados com a rotina e conformados com o estilo de vida e sempre os mesmos resultados, seja no ambiente familiar, social ou profissional. Isto é o que chamamos de “zona de conforto”.
A maioria das pessoas deseja cuidar melhor da alimentação, fazer exercício físico, deixar para trás o que não faz bem ou melhorar o que traz benefícios. Iniciar algo novo e trabalhar nas mudanças necessárias para transformar suas vidas. Entretanto, atitudes tão simples se mostram difíceis de fazer e falhamos na hora de executá-las. Por que isso acontece? A resposta é simples: qualquer mudança nos tira da zona de conforto.
A vida moderna é extremamente dinâmica e precisamos nos adaptar às frequentes mudanças. Isso é desconfortável e nos causa insegurança e ansiedade, mas é necessário. Precisamos estar dispostos e nos preparar para os desafios que aparecem todos os dias. É claro que estas rápidas mudanças nos causam insegurança. As relações sociais, profissionais e comerciais vivem em constante instabilidade e novidades surgem o tempo todo. E para aprender a lidar com esta situação, precisamos nos aventurar no desconhecido. Encarar o desconhecido nos comporta o risco de perder o controle da situação e, ao sair da nossa zona de conforto, entraremos em um terreno que não dominamos. Por isso, a tendência natural é a de continuarmos na mesmice do dia a dia, mergulhados em uma situação que controlamos.
Nossa mente e desenvolvimento pessoal estão diretamente relacionados com o poder de abandonarmos o conhecido, habitual a automático. Precisamos ter confiança, arrojo e determinação para crescer e aproveitar ao máximo as oportunidades que a vida nos oferece. Enquanto estiver dentro de sua zona de conforto, não estará crescendo nem aprendendo coisas novas. Fará as mesmas coisas de sempre, e, desse modo, irá conseguir somente o que sempre teve.

Portanto, para obter o crescimento pessoal você precisa ter atitudes que não está habituado, mas que são fundamentais para a mudança que deseja. Reflita sobre suas conquistas e perceba que resultados diferentes e significativos só aconteceram quando você fez algo novo. O novo assusta, mas é o que te levará ao sucesso.
Lembre-se sempre desta frase, de Steve Blank, escritor e empreendedor de grande sucesso: “Grandes empreendedores estão confortáveis em estarem desconfortáveis”. Por isso você precisa abandonar a sua “zona de conforto” se quiser crescer de verdade.

(*)  é palestrante motivacional, especialista em vendas e marketing pessoal, além de Master Coach. Formada pela Sociedade Latino Americana de Coaching e pela IAC (International Association of Coaching), é autora dos livros “Paixão em Vender – 5 Segredos do Vencedor”, “7 passos para se apaixonar pelo que faz” e “5 Passos para fortalecer sua Memória”. Site: www.silviabez.com.br

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A ORIGEM DO MACARRÃO




Dia do Macarrão: a curiosa história desse alimento saudável e delicioso

Eduardo Marques (*)

A história do macarrão é cheia de curiosidades e lendas. Esse alimento tão gostoso, e que ainda é muito saudável, possui uma das histórias mais interessantes e cheias de mistérios de todo o universo das comidas. Só para contextualizar, no ano retrasado, a ex-presidente Dilma Rousseff instituiu no Brasil, uma data comemorativa que já era celebrada em diversos países pelo mundo todo, o Dia Nacional do Macarrão. A data, que é dia 25 de outubro, foi escolhida por ser o dia em que as empresas do ramo realizam, anualmente, doações do alimento a entidades beneficentes por todo o país.
O Brasil consome anualmente um milhão de toneladas da massa por ano, se colocando entre o 12º país que mais consome macarrão no mundo. Existe até um sindicato de produtores, o Sindimassas, no Espírito Santo, onde há mais de 180 empresas produtoras de massas alimentícias. Para comemorar esse dia e homenagear esse alimento tão adorado e tão importante para a dieta brasileira, decidi contar um pouco da história do macarrão, que é repleta de mistérios e curiosidades.
Para começar, um fato curioso é que hoje em dia consideramos a maioria das massas alimentícias como macarrão, mas nem sempre, e nem em todo lugar, isso foi assim. O espaguete, por exemplo, é considerado, ainda em alguns lugares, como uma massa diferente do macarrão, que por definição deve ser mais curto e até mesmo furado por dentro, como o penne e o cotovelo. Claro que hoje em dia, principalmente aqui no Brasil, essa divisão não é feita tão a ferro e fogo, porém ainda há coisas curiosas sobre o macarrão que ninguém sabe, ou entende de forma errada. Muitos acham, por exemplo, que o macarrão engorda, ou faz mal.
O macarrão é composto de 11% de proteína, é rico em vitaminas do complexo B e pode variar entre o comum, feito de farinha de trigo e água; de sêmola, feito com trigo nobre (tipo I); com ovos; grano duro, feito com trigo durum, integral; com vegetais e até caseiro, como muitos preferem. Hoje em dia, há ainda opções sem glúten. Os formatos variam em todos eles, como o fusili, o penne, o espaguete, o ravióli, etc. Mas se tem algo que eles compartilham é que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o macarrão não engorda. Ele é uma fonte de energia e pobre em gorduras, além de ter zero de gorduras trans.
Já foi comprovado cientificamente que massas podem e devem constar em refeições diárias. O macarrão brasileiro é muito bem conceituado, inclusive entre os italianos, que são os que mais entendem do assunto, de acordo com a cultura popular. Entretanto, engana-se quem pensa que a iguaria foi inventada na Itália. Reza a lenda que o explorador italiano Marco Polo trouxe o macarrão da China para a Itália, durante o século XII. Porém, apesar de essa ser a mais famosa história sobre o macarrão, hoje se sabe que ele chegou à Europa muito antes, com os árabes, que já consumiam o spaghetti.
Outra lenda atribui aos próprios árabes a invenção da massa, que eles chamavam de itrjia, um tipo de spaghetti seco. O caso é que no fim de contas pesquisas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia de Ciências de Beijing, sob o comando do Prof. Houyuan Lu, comprovaram em escavações na Laija, província Qinghai, no noroeste da China, que já havia um precursor do spaghetti que data do período Neolítico, e era consumido pelo povo que viria a ser o chinês.
O achado mostra o macarrão dentro de uma vasilha virada de cabeça para baixo, soterrada por desastres naturais, três metros abaixo da superfície. Isso quer dizer que os árabes apenas levaram o macarrão para a Itália, muito antes de Marco Polo pensar em visitar a China e levar a iguaria pela Rota da Seda. Apesar disso, foi na Itália que ele atingiu seu ápice no preparo e ganhou maior popularidade.
Grande parte da fama da Itália ligada ao macarrão é justamente o fato de este ter sido um país que teve muitos imigrantes saindo para o mundo todo. Foi assim que ele chegou ao Brasil, por exemplo. Basicamente, as comunidades de imigrantes que se instalaram no sul e sudeste do Brasil são as responsáveis pela difusão dessa obra prima gastronômica por todo o nosso território. Não é a toa que por aqui produzimos o melhor e mais famoso macarrão do mundo (de fora da Itália), que é aprovado inclusive pela comunidade italiana.
O macarrão é um alimento tão gostoso que desperta a curiosidade. Por ele, existem pesquisas científicas que fogem do teor nutricional e partem para a arqueologia. Sua história é permeada por lendas e contos que vão de migrações dos árabes, ao fim das Cruzadas, até a trilha pela Rota da Seda de Marco Polo. E a ficção se mistura com a história nas viagens pelo mundo, deixando a Europa e a Ásia para alcançar o globo em grandes navios de metal, no fim do século XVIII. O macarrão é um alimento saudável, interessante e acima de tudo, muito saboroso. Que tal ele como sugestão de almoço para comemorar esse 25 de outubro?

(*) É CEO da franqueadora Let’sWok.

Ilustração: www.1001consejos.com

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O professor precisa ir além da abordagem tradicional de ensino


A formação continuada do professor

Ana Regina Caminha Braga (*)

O professor dentro da abordagem tradicional de ensino podia preencher o quadro negro com o conteúdo, as crianças copiavam e respondiam às perguntas ou realizavam os exercícios sem interromper ou questionar sua prática e permaneciam sem exemplificação para suas dúvidas, o que impedia uma melhor compreensão do assunto. Nessa abordagem, não havia espaço e nem autonomia de pensamento ou liberdade de expressão em sala de aula. O professor falava, transmitia o conteúdo, realizava as tarefas e os exercícios, e todo aquele conhecimento era recebido como absoluta verdade.
Por outro lado, na metodologia interacionista, o professor já pode ser visto de outra maneira, em função dos avanços da educação nas suas questões básicas em prol do conhecimento/aprendizagem, bem como dos Regulamentos e Leis que amparam todo o processo de ensinar e aprender. Dessa maneira, busca-se um ensino e uma prática diferenciados, em que o professor não esteja mais tão adepto da abordagem tradicional, mas compreenda a importância de interagir com seus alunos. Na sua prática pedagógica é possível construir um planejamento com possibilidades reflexivas, em que eles participam e contam com a mediação do professor no seu desenvolvimento/aprendizagem.
O docente não precisa deixar o que aprendeu com as abordagens anteriores, mas é oportuno utilizar uma metodologia e estratégia adequada para ensinar o conteúdo para seus alunos, de maneira que estes sejam motivados a aprender sem a necessidade da presença do professor/professora de forma dependente em suas atividades.
É compreensível que o professor encontre dificuldades em modificar suas práticas anteriores, mas é importante a elaboração de uma visão menos conteudista, em que os alunos apenas recebem as informações.  É preciso que eles consigam transformar a informação em conhecimento e construam um sentido e significado para cada aprendizagem e assim possam facilitar suas relações e inferências com o mundo.

A escolha adequada da metodologia em sala de aula facilita o andamento das atividades tanto para os alunos como para o professor, pois ele está inserido dentro de um contexto que contempla os objetivos do seu planejamento de aula. É preciso que o profissional tenha um espaço que lhe possibilita visualizar as facilidades e as limitações de cada conteúdo colocado para a turma.
O foco é proporcionar ao aprendiz uma prática pedagógica na qual ele tenha suas habilidades exploradas e a oportunidade de evoluir como aprendiz, estando preparado para desenvolver seu papel, superando obstáculos e refazendo-se quando for necessário para rever ou recomeçar o desenvolvimento das aprendizagens, sejam elas sistemáticas e assistemáticas.
Por isso, a importância do papel que precisa desenvolver dentro de sala de aula, considerando que, além do aluno permanecer parte do seu tempo em sala de aula, é de sua responsabilidade externar e evidenciar na prática pedagógica seu conhecimento teórico como profissional para planejar e organizar as atividades, o espaço e as estratégias a serem utilizadas com o objetivo de motivar o aluno a aprender, e dessa maneira construir um ambiente no qual ele possa desenvolver o maior número de habilidades possível.
Elaborar uma aula não é preparar uma bela lição em que se preveem as perguntas e as respostas dos alunos. É preparar-se para estar à escuta, para se adaptar aos modos de resolução, de raciocínio dos alunos para levá-los a que tomem consciência deles, com finalidade de modificar, fazer evoluir e fomalizá-los em competências transferíveis.
É importante que o professor esteja preparado para oferecer ao aluno uma prática pedagógica que o proporciona a autonomia ao desenvolver uma atividade. É preciso estar disponível para ouvir questionamentos, posicionamento quanto ao conteúdo transmitido para ter a facilidade e a habilidade de instiga-lo a superar aquilo que fora proposto em sala de aula.

(*) é escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar.   (https://anareginablog.wordpress.com/)