quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sobre políticas de austeridade



Políticas de austeridade

Amadeu Roberto Garrido de Paula (*)

Há mais de um modelo de política de austeridade. Entretanto, o pensamento político mundial só conhece um: apertar os cintos, sobretudo de trabalhadores e beneficiários da previdência social. Não negamos que, em determinado momento, o arrocho social deva ocorrer, enquanto última alternativa. Salvar empresas e fazer sofrer os produtores, liminarmente, é uma dialética burra e perversa.
Ao se falar em déficit das contas públicas, raramente se olha ao núcleo duro das causas. No caso brasileiro atual, a corrupção, o desvio brutal de dinheiro público, a primeira pergunta: o que fazer para recuperar parte substancial do objeto desses crimes?  Ao se dizer que a corrupção é o mais grave problema brasileiro, muitos divergem. É moralismo.  Mas, basta ver os números.
Corrupção se combate com a Justiça. O que percebemos é o destaque às investigações criminais. Contudo, moralismo e só querer combater com a cadeia. Mais importante é o pragmatismo do ressarcimento dos bilhões surrupiados dos brasileiros. E isso é possível, em prazo imediato, sem violar as garantias do estado democrático de direito. Acelerar a recomposição de nossas finanças, com o uso das leis atuais ou que podem ser propostas pelo governo de Michel Temer. Depois de muito tempo e apesar dos murmúrios das bocas malditas, somente agora se revela que o assalto aos planos de pensão de entidades públicas equivale a aproximadamente 1/3 dos bilhões da dívida pública.
Têm de ser buscados imediatamente. Ao que consta, até este momento "somente" 8 bilhões foram recuperados. Há o profundo buraco do BNDES e responsáveis que devem ressarcir o tesouro. Muito pouco se recuperou da Petrobrás. Os dirigentes de empresas privadas que contrataram com a administração pública estão presos. Ótimo, dizem os incorrigíveis moralistas, nem só pobre e preto vão aos cárceres no Brasil. E o dinheiro? Falamos do dinheiro dos aditamentos contratuais, inclusive de obras inacabadas, que está escondido em algumas grutas.
Em suma: punir criminalmente é mais espetaculoso. Mas, recuperar nosso dinheiro para vencer a crise, é muito mais importante. Ah, não se acham mais os bilhões. Tomaram doril. Quem possui o mínimo de experiência jurídica sabe que os processos cíveis são mais complicados que os criminais.  Porém, perguntem se alguém que teve sua bolsa roubada prefere mais sua reobtenção ou ver o ladrão na cadeia... Exsurgirá algum Sérgio Moro no plano cível?
No colonismo cultural em que vivemos temos a tendência de copiar tudo, até mesmo as políticas de austeridade, que derrubam os mais pobres e só lhes deixam as alternativas de protesto, como nas ruas de Paris. É um grande equívoco, que o governo Temer está prestes a cometer, insuflado por equivocados do PSDB.  Enquanto os ladrões riem, os pobres pagam a conta e fenecem. A pinguela pode desabar e cair no rio, como disse FHC. Depois recrudescerá o caos.
A coragem está em enfrentar-se os conglomerados econômicos que depauperam nosso País e, não, em enfrentar, com a ajuda da polícia, manifestações públicas. Em verdade, temos o rumo, sabe-se como agir com destemor, mas há o famigerado equilíbrio das forças políticas. Enfrentar os ladrões significa inviabilizar o governo. Logo, pau nos sem eira, beira e poder.
O raciocínio sobre a Previdência Social também corre às avessas. Fala-se dos efeitos drásticos de suas contas, mas a verdadeira causa de um Instituto Estatal de proporção continental, que poderia não ser esse gigante (o saudoso Montoro cansou de falar sobre a descentralização administrativa, em todos os campos), não é vista. Consiste numa máquina-tartaruga-gigante, que consome mais, como atividade-meio, que os benefícios da atividade-fim. E ainda se dá ao luxo de fazer tudo errado, a ponto de termos necessidade de abomináveis órgãos de justiça previdenciária. Não se trata, a reforma previdenciária, de sangria desatada, em ordem a gerar imprevisíveis conflitos sociais. O necessário é reformar, desde já, para não falir em alguns anos. Pelo menos, esse é o discurso oficial. Então, comecemos pelo ataque às verdadeiras causas, administração caríssima, reduzível à metade, andamento paquidérmico e, além disso, guiada pela desonestidade em relação aos segurados, cuja grande maioria percebe benefícios de fome.
Se for para mexer em benefícios, que se comece dos servidores públicos e, principalmente, dos cargos mais altos. Estes são ocupados por profissionais de elevada formação educacional, que podem passar essa herança a seus filhos, frequentadores das melhores escolas privadas. Não tem mais cabimento deixar generosas e quase que intermináveis pensões a dependentes nomeados. Todos conhecem a diferença abissal entre previdência privada, do regime geral, pública, e do regime nababesco, comparado à miséria do País. Ninguém quer começar por aí. Mais uma vez, a pinguela despenca.
Fomos afogados por medidas provisórias, desde o governo de FHC. A maioria inconstitucional, porque ausentes os requisitos de urgência e relevância. Na salvação nacional, óbvio que as medidas corretas são urgentes e relevantes. Portanto, ajustadas à Constituição. Por esse meio, afastaríamos grande parte dos interesses fisiológicos que inundam o Congresso Nacional.
Há um elemento comum nas políticas de austeridade. Coragem, como já disse Michel Temer, para quem quer entrar na história e não num campo de poder, sem reeleição. Se é verdade, veremos logo. Mas, pelo andar da carruagem, tudo o que foi dito acima parece não passar de um sonho no inverno de nossa desesperança.


(*) é advogado e poeta. Autor do livro Universo Invisível e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.  

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A crise passa longe dos ricos


O mercado de luxo não sofre com a crise

 Adriano Tadeu Barbosa (*)

De acordo com pesquisas recentes e dados da Associação Brasileira das Empresas de Luxo (Abrael), neste ano de 2016 o mercado de luxo deve crescer entre 11 e 13% no Brasil. Segundo especialistas, isso acontece por um fato que nós conhecemos muito bem: o brasileiro gosta de comprar. Empresas que representam este mercado estão na contramão da crise. Quando tratamos de automóveis, por exemplo, o mercado de veículos gerais teve queda de 30% em 2015, enquanto as concessionárias de luxo registraram alta de 20% nas vendas no mesmo período.
Se formos analisar outros setores como os de joias e artes, vemos que os consumidores das classes A e B não abrem mão de atualizarem seus acervos, tanto que a procura por designers exclusivos e galerias de arte não recuou em algumas regiões do Brasil. O que podemos afirmar é que o índice de desemprego alto no país não atinge a estabilidade desta classe econômica, porque ela não depende de créditos, o que faz com que continue a consumir.
Pelo bom gosto apurado e por somente buscarem produtos de extrema qualidade, conhecendo muito bem as empresas que fazem parte deste mercado, os consumidores de luxo investem porque sabem que não enfrentarão problemas depois. Isso traz estabilidade neste setor mesmo em meio a um cenário não favorável para a maioria. A cidade de São Paulo é a maior responsável pelo consumo do mercado de luxo no Brasil, cerca de 60%, seguida do Rio de Janeiro, com 25%. Especialistas acreditam que, em 2025, Brasil, Rússia, China e Índia representarão 52% do mercado de luxo no mundo.
Nos últimos anos, o mercado de luxo no Brasil ganhou maturidade. Nós passamos daquela fase do luxo voltado para produto para uma fase mais evoluída, mais madura, do luxo voltado para serviços. Aquele luxo da ostentação, das coisas muito caras, está cedendo lugar a um luxo experiencial. O que abre espaço neste mercado de 32% dos 200 milhões de brasileiros. Segundo o IBGE, 64 milhões de habitantes estão entre as classes A e B no Brasil, concentradas nas regiões sul e sudeste, mas que também se situam nas outras regiões deste grande país. Todos em busca de excelentes produtos, serviços e experiências, a nova versão do mercado de luxo.
Poder usufruir de algo inesquecível e em alguns casos, inexplicável, como um jantar romântico nas alturas, viajar seguindo a aurora boreal, desfrutar de um assessor pessoal para todas suas atividades burocráticas, está na lista destes consumidores experientes no bom atendimento e experts em qualidade. Assim, para continuar a desenvolver serviços e produtos às expectativas deste seleto grupo, e para entender como o comportamento das classes A e B reage neste mercado, o aprendizado contínuo e a atualização dos profissionais são fundamentais.

(*) é supervisor do GBA internacional Mercado de Luxo do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE). Ilustração: www.webluxo.com.br 





quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Silvia Bez analisa as mudanças na gestão das pessoas


"Líder humano" substitui "chefe frio" na nova era corporativa

Silvia Bez (*)

Ao longo dos últimos anos, diversas mudanças vêm ocorrendo no mundo corporativo, especialmente na gestão de pessoas. A hierarquia e a frieza na relação com os colaboradores perderam espaço para uma liderança horizontal, com menos autoridade e mais parceria e sensibilidade com toda a equipe.
Para ter sucesso nos negócios, a primeira coisa que a empresa deve fazer é se preocupar com o bem-estar de seus profissionais e contar com líderes mais humanizados. Abaixo, listo 5 características fundamentais da nova era da gestão:
1) Humanização: Mesmo vivendo na era da globalização e da informatização, o gestor não pode esquecer que seu colaborador não é uma máquina, portanto, é necessário valorizá-lo primeiramente como ser humano. Todos terão dificuldades e, para superá-las, eles vão procurar apoio no líder.  Assim, o gestor deve usar as melhores habilidades de cada um para fazer com que todos cresçam não somente na empresa, mas também em suas vidas pessoais.
2) Práticas certas: Não adianta exigir bons resultados se a prática ensinada estiver errada. Ela pode ser repetida inúmeras vezes, mas, se o gestor não direcionar a equipe para o caminho certo, os objetivos não serão alcançados. Consequentemente, os colaboradores nunca farão o trabalho da maneira que deve ser feita.
3) Incentivo x Motivação: Não parece, mas são coisas distintas. A motivação vem de dentro do profissional e o que a faz crescer é o incentivo que a empresa oferece. O gestor não pode motivar o colaborador, mas pode incentivar com atitudes, como valorizar seu trabalho, entender suas necessidades e ajudá-lo em suas dificuldades. Mostrar que ele é importante para a empresa já é um grande fator para aumentar sua motivação!

4) Parceria: O grande erro de muitos gestores é pensar sozinho e não dar voz às ideias de seus liderados. Para que o trabalho dê certo, é preciso que exista uma parceria na equipe. Portanto, o líder deve procurar sempre se manter disponível, fazendo com que todos se sintam partes integrantes da tomada de decisões. O simples fato de saber que podem contar com o líder já traz a segurança que precisam para realizar os projetos com precisão. Quando o liderado se vê “dentro” do projeto há, por parte dele, um maior comprometimento.
5) Gestor Coach: Um gestor lidera e orienta seus colaboradores. Um gestor coach pratica todos os passos citados anteriormente e vai além. Ele identifica as competências e habilidades individuais e consegue extrair o melhor de seus liderados. Além disso, o gestor coach entende as principais capacidades e as usa de forma que beneficie toda a equipe, ao mesmo tempo em que ajuda o grupo a superar as dificuldades. Resumindo: ele se torna um parceiro de seus liderados. Assim, juntos, entregam os melhores resultados para a empresa.

(*) é palestrante motivacional, especialista em vendas e marketing pessoal, além de Master Coach. Em seu trabalho, sempre foca o lado humanista. Formada pela Sociedade Latino Americana de Coaching e pela IAC (International Association of Coaching), é autora dos livros “Paixão em Vender – 5 Segredos do Vencedor”, “7 passos para se apaixonar pelo que faz” e “5 Passos para fortalecer sua Memória”. Site: www.silviabez.com.br


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Um chef de cozinha condena a "gourmetização"


O fim da era da “Gourmetização”

Guilherme De Rosso (*)

Coxinha gourmet, pastel gourmet e brigadeiro gourmet. Gourmet, gourmet, gourmet. A palavra ganhou tanta força no Brasil que tudo o que você possa imaginar ganhou uma variação “gourmetizada”. É claro que com tanta “gourmetização”, as pessoas acabariam enjoando. Hoje, o que os clientes buscam nos estabelecimentos, nada mais é que comida de qualidade, seja ela qual for, com preço justo e sem muita frescura.
Sempre achei o termo mal utilizado, vejo algo com “Gourmet” na descrição e torço o nariz. Na grande maioria das vezes, um prato tradicional acaba sendo preparado com técnicas um pouco mais sofisticadas, ou com ingredientes mais caros e de melhor qualidade, o que nem sempre é verdade, e por conta disso acaba ganhando a denominação “Gourmet”. Quando na verdade continua sendo o bom e velho prato tradicional de sempre.
Mas porque isso acontece? Simples, porque muitas vezes, as pessoas mal informadas, acabam achando que um Pão com Bolinho “Gourmet” é muito melhor do que um Pão com Bolinho simples, tradicional, e acabam aceitando pagar muito mais caro por isso. O fato é que o Pão com Bolinho “Gourmet”, ou qualquer outro prato com essa denominação, nada mais é que o prato feito de forma diferente, ou uma releitura do mesmo. Não existe uma lei universal com os ingredientes exatos e quantias perfeitas para poder se chamar "pão com bolinho”.
O fim da “era da gourmetização”, para mim, era uma questão de tempo. Tempo para que as pessoas pudessem ir atrás de mais e novas informações e entender o que é algo “Gourmet”, e não simplesmente pagar mais caro por um prato enfeitado, em um restaurante “A", quando os ingredientes e técnicas usadas são as mesmas de um restaurante “B".
O que o público deve buscar e tem feito, são pratos feitos com amor, com ingredientes de qualidade (nem sempre os mais caros), técnicas que façam com que os sabores sejam realçados, e uma apresentação que faça você salivar sem sequer usar o garfo ainda, sem precisar usar enfeites caros que não fazem o menor sentido no sabor do prato. Mas isso não precisa ser o prato mais caro ou nem o mais barato, mas sim, o justo.
Esqueçamos a atual situação financeira do Brasil, onde o feijão está sendo vendido a peso de ouro. Para que isso cresça ainda mais, o público deve ir atrás de mais e mais informações corretas, e assim tem base de comparação e poder analisar e decidir o que é “justo” no mundo gastronômico.

Essa é minha visão, num mundo onde as informações são encontradas cada vez mais facilmente e a gastronomia tão globalizada, o público está ficando cada vez mais exigente, sabendo o que é bom de verdade e o que é apenas “gourmet”. Ficar de fora desse mundo depende inteiramente dos consumidores e donos de bares e restaurantes.

(*)  é formado pelo curso de Chef de Cuisine - Restaurateur do Centro Europeu e se especializou no Italian Culinary Institute for Foreigners (ICIF), da Itália. Após alguns anos na Europa e experiências em restaurantes com estrelas do Guia Michelin, Guilherme retornou para o Brasil para comandar o boteco Simples Assim, em Curitiba.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Energia limpa é a bola da vez



A vez da energia limpa

Janguiê Diniz

É na crise que surgem as grandes oportunidades.
Muito tem se falado da crise econômica que assola o país deixando milhares de desempregados e causando recessão em vários setores da economia. Entretanto, apesar do atual quadro econômico, a frase com a qual abri esse texto é uma realidade para o setor de energia limpa, como as de geração de energia eólica e solar, que continuam mostrando dinamismo e projetando crescimento para os próximos anos, registrando bons níveis de desenvolvimento e atraindo investidores.
O Brasil é o sétimo país do mundo que mais investe em energia limpa e o sexto mais atrativo devido às condições naturais. Atualmente, somos o quarto maior produtor de energia eólica no mundo, ficando atrás apenas da China, Alemanha e Estados Unidos, respectivamente. Entretanto, essa não é a principal fonte energética do nosso país.
A liderança energética no Brasil ainda é da energia hídrica, que responde por 66,7% da produção, seguidos por combustíveis fósseis (17,5%), biomassa (8,8%) e energia nuclear (1,3%), segundo dados da Aneel. Vale ressaltar que a energia eólica é a segunda fonte mais barata, sendo superada apenas pela hídrica, e apesar disto, hoje, representa apenas 5,81% da produção.
Além de garantir a segurança do sistema elétrico, os baixos custos fazem a energia eólica ser altamente competitiva. Tal informação tem respaldo nos resultados de crescimento global do setor, que, mesmo em tempos de crise, colocou o Brasil na 10ª posição no ranking mundial de capacidade instalada em 2015. Foram R$ 20 bilhões em investimentos e 41 mil empregos gerados.
É impressionante o nível de crescimento dos segmentos eólico e solar, que crescem a taxas de dois dígitos por ano e, com alto potencial de expansão. Juntos, ambos devem criar 828 mil empregos até 2020. Além dos estímulos públicos e de compromissos ambientais internacionais, o fator que está gerando esse grande crescimento é a redução no custo de implantação, graças ao ganho de escala e inovações tecnológicas.
A iminência de uma crise climática coloca desafios sem precedentes a todas as nações. Há um forte movimento mundial para se reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, como o carvão mineral, gás natural e o petróleo, e aumentar a participação das energias renováveis.
De acordo com o Greenpeace, o Brasil pode ter sua matriz energética majoritariamente limpa até 2050. Segundo o relatório [R]evolução Energética, daqui a aproximadamente 30 anos, a matriz pode contar com 66,5% de fontes como vento, sol e biomassa para alimentar os setores elétrico, industrial e de transportes.
O alto índice de crescimento do setor de energia limpa é justificado por uma série de fatores, não apenas a crise econômica e o baixo custo de produção. O segmento tem unido todas as características que propiciam o desenvolvimento em qualquer setor: baixo custo, oportunidade, tecnologia e projeção de longevidade do negócio.
O Brasil tem recursos naturais de sobra para se tornar uma potência energética limpa. Ao contrário do que acontecia no passado, as energias renováveis – em especial a solar e eólica – são mais competitivas que o carvão e ainda utilizam recursos locais e criam mais empregos. Utilizar a energia renovável agora é mais uma vantagem econômica e capaz de reduzir a dependência de combustíveis importados.

(*) Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional – janguie@sereducacional.com


terça-feira, 16 de agosto de 2016

A farsa do aquecimento global


240 trabalhos científicos em seis meses derrubam “consenso” sobre o catastrofismo climático

Luis Dufaur (*)

No primeiro semestre deste ano  foram publicados em jornais acadêmicos 240 trabalhos científicos, revistos por pares (peer-review), pondo em dúvida o “consenso” do “aquecimento global” atribuído a causas humanas. Em outras palavras, esse “consenso” não existe ou pertence ao mundo da fantasia.
Quase 250 trabalhos contestaram esse tabu do catastrofismo ecologista em 2014. E em 2015 mais de 280 estudos também puseram em dúvida esse “consenso”,  que só existe por imposição de governos e órgãos mundiais.
É assim que, desde janeiro de 2014, chegam a 770 os trabalhos científicos “peer-reviewed” que esvaziam o fajuto “consenso” sobre o CO2 enquanto determinando as mudanças climáticas. Esses 770 estudos evidenciam que os modelos climáticos e as predições de futuras catástrofes atmosféricas embutem graves limitações e incertezas.
A volumosa produção evidencia com vigor a influência não-antropogênica no clima. Tantos trabalhos deveriam minar a agressividade do IPCC e de outros arautos do catastrofismo climático desejosos de encerrar a discussão científica e por em andamento uma espécie de luta de classes contra os produtores agropecuários. Mas, não tem jeito, os extremistas do catastrofismo instalados em governos e órgãos internacionais não querem saber de conclusões adotadas pela ciência e referendadas pelo bom senso. A utopia de um comunismo futurista anarco-tribalista os deixa como que hipnotizados por uma teologia fanatizada e arbitrária.


 ( * ) é escritor, jornalista, conferencista de política internacional e colaborador da ABIM-Agência Boa Imprensa – (ABIM)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sugestão para melhorar o estágio no Brasil


Como melhorar o estágio no Brasil

Marcus Garcia (*)

Criado para complementar a formação acadêmica, o estágio no Brasil acabou perdendo seu objetivo educacional com o passar dos anos. Uma cultura secular arraigada em nosso país parece pensar que estagiário é sinônimo de mão-de-obra de baixo custo. Uma espécie de ‘faz tudo’ e ‘pau para toda obra’ que é contratado sob os auspícios de aprendizado, mas que não se mostra efetivo. 
Uma explicação para isso pode ser a elevada carga tributária brasileira associada às pesadas contribuições sobre salários, que tornam a operação das empresas muitas vezes um desafio. A Lei 6.494 de 1977, que regulamentava a situação dos estagiários, deixava enormes lacunas, o que permitia às empresas contratar estagiários com isenção dos encargos sobre os salários para cumprirem funções e papéis que não tinham relação com seu curso de formação. A nova lei do Estágio (11.788 de 2008) corrigiu erros da antiga e regulamentou a atividade, mas ainda existe o ‘jeitinho brasileiro’, ou seja, continuar contratando estagiários beneficiando-se das isenções, mas sem o compromisso com o processo de aprendizagem favorável à formação do jovem.
Além disso, também existe a reclamação das empresas que dizem receber estudantes com pouca formação acadêmica. Para resolver esse problema, algumas organizações criaram os Programas de Trainee. Neste modelo, as empresas selecionam profissionais que estejam formados em até, no máximo, 24 meses e os preparam para atuação em posições de gestão. É uma resposta das empresas à fragilidade de formação e modelo de preparação que as instituições de ensino ofertam.
Outra solução seria a chamada Aprendizagem Cooperativa ou CO-OP. Esse modelo vem sendo aplicado com excelentes resultados na Universidade de Waterloo, no Canadá, e adotado em outras Universidades mundo afora. A Aprendizagem Cooperativa é baseada em pesquisas que defendem a necessidade de cooperação como condição de desenvolvimento e progresso. Funciona com a revisão dos programas de ensino e aprendizagem que faz uma intercalação entre períodos letivos e momento com imersão total no mundo do trabalho, realizando avaliações e supervisão permanentes. O estudante consegue alternar estudo com prática, fazer rodízio de funções, explorando opções para carreira e construindo um networking.
Nessa modalidade, as empresas identificam talentos e ganham com as novas ideias e motivação dos estudantes. As instituições de ensino que oferecem essa possibilidade atraem mais estudantes, com aumento da visibilidade e reputação, já que proporcionam enriquecimento da comunidade educacional com graduados bem preparados e projetos colaborativos com os empregadores.
Mas, o que seria ideal no Brasil? É necessário que o sistema de estágio seja adequado a cada realidade social, cultural e local. Quando um sistema é suficientemente flexível para permitir adequações a cada realidade, boas experiências podem ser obtidas e bons resultados conquistados. Para isto, é fundamental que o estudante aplique no mundo do trabalho os conceitos que aprendeu na escola. E para a empresa deve ser visto como um investimento na renovação da organização, com as ideias e entusiasmo do jovem, que trará da escola novas visões de mundo que poderão ser adequadas à realidade corporativa. Para isto ocorrer, a empresa precisa estar aberta ao novo e a escola deve efetivar seu papel formativo e se beneficiar das experiências das organizações para rever permanentemente seus currículos e práticas.

(*) É especialista em inteligência motivacional e gestão de pessoas, e atua como professor do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE), de Curitiba (PR).